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Eleição, juros e leilões de imóveis: o que muda depois do segundo turno

18 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Em 25 de outubro o país volta às urnas para o segundo turno da eleição presidencial. Dez dias depois, em 4 de novembro, o Copom decide a nova taxa Selic. Para quem pretende comprar imóvel em leilão nos próximos meses, essas duas datas importam mais do que parece; não pelo nome de quem vencerá, mas pelo caminho que a eleição percorre até chegar ao preço, ao crédito e à saída do investimento.

Como a eleição chega ao imóvel

A urna não altera, por si só, o valor de um apartamento. O efeito passa por três canais: a política fiscal do próximo governo; os juros, que reagem à expectativa sobre as contas públicas; e o volume de recursos públicos para habitação, como o Minha Casa, Minha Vida. Analistas do setor convergem num ponto: quem decide o mercado imobiliário é o ciclo de juros e crédito, e a eleição pesa na medida em que mexe nesse ciclo.

O primeiro turno, em 4 de outubro, mostrou isso na prática. No pregão seguinte, o dólar caiu mais de 4% e voltou a ser negociado abaixo de R$ 5, e a curva de juros futuros recuou em todos os vencimentos. Na semana seguinte, parte do movimento foi devolvida: o dólar retornou aos R$ 5 e os juros futuros subiram com as novas pesquisas. É o retrato de um mercado que reage a expectativas, e expectativas mudam.

O que os juros dizem ao arrematante

Os juros futuros antecipam onde o mercado imagina que a Selic estará. Desse custo do dinheiro dependem as taxas do financiamento imobiliário, o rendimento da renda fixa que concorre com o imóvel e a disposição dos compradores.

Hoje a Selic está em 13,75% ao ano, após corte unânime de 0,25 ponto em 16 de setembro. O Boletim Focus projeta 13,25% no fim de 2026, mas também elevou a expectativa de inflação para 5,22%, acima da meta. Há espaço para cortes, porém sem garantia de ritmo. Uma redução consistente depende, em boa parte, de o próximo governo sinalizar compromisso crível com as contas públicas; se isso não ocorrer, seja quem for o eleito, a queda pode ser mais lenta ou até interrompida.

O que a história ensina

A ideia de que “ano eleitoral trava o mercado” não se confirma nos números. Em 2018, ano de eleição e Copa do Mundo, as vendas residenciais cresceram cerca de 19%. Em 2022, o crédito imobiliário somou cerca de R$ 241 bilhões, o segundo maior volume da série histórica.

Em 2014, por outro lado, o Secovi-SP registrou forte queda nas vendas na capital paulista e apontou, entre as causas, a insegurança das famílias em assumir compromissos longos durante o período eleitoral. Mas aquele também era um ano de juros em alta e economia em desaceleração. O padrão se repete: o que pesa é o ciclo de juros; a eleição amplifica ou atenua.

O comportamento do comprador comum vai na mesma linha. Pesquisa da Loft com a Offerwise, feita em julho de 2026, mostrou que a maioria de quem tinha plano de comprar ou alugar não pretende mudá-lo por causa da eleição, embora acredite que o mercado como um todo possa desacelerar.

E no mercado de leilões?

Aqui está o ponto que mais interessa a quem arremata. A oferta de imóveis em leilão é alimentada pela inadimplência, e a inadimplência acompanha os juros. Em 2025, foram cerca de 300 mil leilões de imóveis no país, segundo levantamento da SPY Leilões divulgado pela Forbes; a Associação de Arrematantes (Abraim) aponta desconto médio de 37,3% sobre o valor de avaliação.

De forma simplificada, há dois cenários:

Em períodos de incerteza, alguns pregões têm menos concorrência, o que pode abrir boas oportunidades. Mas desconto alto não é sinônimo de bom negócio quando a estratégia de saída depende de um cenário que pode não se confirmar.

Checklist para os próximos 90 dias

Resumo

Este texto tem caráter informativo, não constitui recomendação de investimento e não substitui a análise do edital, da matrícula e do processo de cada caso.

Fontes: Banco Central do Brasil, comunicado da 281ª reunião do Copom (16/09/2026); Boletim Focus de 13/10/2026 (via Canal Rural); Money Times e InvestNews (05/10/2026), sobre a reação do câmbio e dos juros ao primeiro turno; Portas, retrospecto do mercado imobiliário em anos de Copa e eleição (2014 a 2022) e pesquisa Loft/Offerwise, Onda 7 (jul/2026); Secovi-SP, pesquisa do mercado imobiliário de 2014 (via CBIC); Forbes Brasil e Registro de Imóveis do Brasil (jul/2026), dados SPY Leilões e Abraim.

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